O Ciborg.



A cibercultura muda sim, mas, não tudo, o modo como passamos a viver e enxergar o “novo” mundo da era tecnológica. Desde o surgimento de novas máquinas e suas tecnologias avançadas e com o surgimento de novos equipamentos, como, telefones, computadores, celulares, notebooks, dentre outros, a humanidade vem se transformando: seus hábitos, atitudes, culturas, adaptando-se as transformações do mundo, seja por opção, seja por obrigação, dado às novas tendências. A cibercultura, é o conjunto de práticas sociais e combinações de comunicação, colagens e cut-up de informações a partir das tecnologias digitais. Este processo, que teve início no pós-modernismo, ganha cada dia mais, contornos globalizados, que atinge novas mídias, novos povos que, aos poucos vão evoluindo para uma nova definição de sociedade. E, não poderia ser diferente com a definição do que será o próximo “ser humano”, aprimorado artificialmente, ou que poderíamos definir, seguindo a ideia do autor, como o novo corpo em que habitaremos.
A partir das últimas décadas do século XX, a cibercultura, também conhecida como cultura remix, surgem novas compreensões e possibilidades de apropriações ou, criações livres que antes não existia. O lema desta nova era é, ser livre a qualquer custo e, isso no ponto de vista de muitos, não é considerada uma acomodação e muitas vezes ultrapassa o limite da liberdade de outrem. A nova cultura do corpo, traz muito desta chamada “liberdade”, quando vemos cada vez mais pessoas se utilizando de tecnologias, sejam através de equipamentos, tratamentos, alimentos, produtos estéticos, implantes de equipamentos, tentando uma longevidade adquirida, modificando gradativamente o corpo e suas funcionalidades.
Hoje a internet está em todos os lugares, ou, como diria a publicidade Sue System: “o verdadeiro computador é a rede”. Todos passamos a nos comunicar em rede, pessoas, máquinas, objetos e, com o avanço da tecnologia, o ser humano já pode saber se do outro lado do planeta há algo de “novo” que ele possa usar para “melhorar” seu corpo e seu desempenho. Seguindo a linha de raciocínio do autor, o que antes parecia ficção científica, vem tomando uma forma real no cotidiano das pessoas. O ciborg, espécie de meio máquina, meio humano ou, mente humana no corpo de uma máquina com habilidades superdesenvolvidas, vem surgindo como algo surreal, ora na medicina funcional, seja substituindo órgãos, ora na medicina estética, também pelo mesmo motivo. A cibercultura estará sempre presente na vida das pessoas porque a tecnologia a cada dia que passa está inovando cada vez mais. Não será nenhum espanto (e olhe que beiro ao exagero) se, em breve formos ao supermercado adquirir um novo órgão substituto para nosso corpo; seja uma perna, braço, olho mais bonito, uma nova face.
Quando o autor André Lemos se refere a: “na era da cibercultura o corpo é pura informação. O projeto Genoma Humano que parte do princípio de que nosso corpo é fruto de diversas combinações de informação ao nível dos genes está em sintonia com a era da informação”, podemos realmente acreditar que, “após a colonização externa do mundo pelas tecnologias industriais e informacionais é agora o corpo que se transforma em objeto de intervenção. Mostramos em outro trabalho as origens dessa relação entre a phusis e a techné como determinante na nova visão dos cyborgs da cibercultura” (Lemos, 1999).
Sim, o corpo da cibercultura é um corpo ampliado, transformado e refuncionalizado a partir das possibilidades técnica de introdução de micro-máquinas que podem auxiliar as diversas funções do organismo. Em breve não saberemos mais o que serão homens, nem mulheres, por definição poderemos ser todos andrógenos, com uma mente perspicaz e um super corpo, onde não cultivaremos doenças, patologias ou algo que possa nos causar dores, cabendo a manutenção periódica e a substituição de peças com funções ortopédicas, visuais, cardíacas, entre outras e, desta maneira, fazendo jus a definição de que, um ciborg é um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar as capacidades humanas, utilizando tecnologia artificial, restando-nos apenas uma questão: até onde saberemos onde termina o humano e começa a máquina e vice versa?
(...)

JB Fernandes.

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